Fotos do Seminário Macroeconomia do Desenvolvimento (UnB, 07-08 de abril de 2011)

WORKSHOP ON GROWTH WITH FINANCIAL STABILITY AND THE NEW DEVELOPMENTALISM

 (*) ESTE SEMINÁRIO NÃO ESTÁ ABERTO AO PÚBLICO !!!!

PROJECT

GROWTH WITH FINANCIAL STABILITY AND THE NEW DEVELOPMENTALISM

Second Workshop

“Financial Stability and Financial Governance in Brazil – Assessing the Landscape and Drawing Policy Implications”

Sao Paulo, March 24 and 25, 2011

This workshop will focus primarily on the central role of financial governance in promoting a competitive exchange rate to support developments strategies in Brazil. It will be divided into five themes/sessions, and the program and themes are listed below.

We want to remember that each participant, except the debaters, should prepare a 5-10 briefing note (English version) to present at the seminar, related to the theme of his/her corresponding group, and we hope to receive the notes not after March 20, because we want to send them to the debaters.

Each note presenter and debater will present a ten minutes speech, followed by the debate between all the participants. Therefore, the debater will initiate the comments after the presentations, and the other participants (not only the ones from that group) will follow, doing their comments on the notes right away.

Thursday, March 24

9 – 11 hs

1.  Financial Governance in Brazil- 1998-2010: An Overview

Note presenters:

Andre Nassif

Fernando Cardim Carvalho

Ricardo Carneiro

Rogério Sobreira

Debator:

Robert Guttmann

11 – 11:15 hs

Coffee-break

11:15 – 13:15 hs

2.   To what extent financial regulation in Brazil was effective in neutralizing the tendency to the overvaluation of the exchange rate (Theses 6 on new developmentalism) in Brazil since the 1994 Real Plan?

Note presenters:

Andre de M. Modenesi

Edwin Le Heron

Paulo Gala

Debators:

Kunibert Raffer

13:15 – 14:30

Lunch

14:30 – 17 hs

3.  How did financial regulation influence Brazil’s response to the 2008 financial crisis? Did it have a role in the emergence Brazil as a Global Financial Player?

Note presenters:

Antonio Correa de Lacerda

Fernando Ferrari

Jan Kregel

Marta Bekerman

Nelson Barbosa

Debator:

Jayati Ghosh

20 hs

Wellcome dinner

****************************

Friday, March 25

9 – 11 hs

4.  What revisions of financial regulation and financial governance in Brazil are necessary to support Brazilian development? What’s in place and what’s missing?

Note presenters:

Daniela Prates

Fernando Holanda Barbosa

Luis Fernando de Paula

Rogério Studart

Debators:

Chandru Chandradeskar

Thomas Palley

11 – 11:15 hs

Coffee-break

11:15 – 13:15 hs

5. Financial governance and the “Ten Theses”: Brazil’s long term economic development in the context of the changing financial landscape: What’s in place and what’s missing?

Note presenters:

Franklin Serrano

Jose Luis Oreiro

Nelson Marconi

Yoshiaki Nakano

Debator:

Gabriel Palma

13:15 – 14:30

Lunch

14:30 – 17 hs

6. Final discussion and conclusions

This workshop is organized by the Structuralist Development Macroeconomics Center of the São Paulo School of Economics of Getulio Vargas Foundation, with the support of Ford Foundation, and will take place at ********************, São Paulo, where the participants will be hosted. Transfers, daily rates, meals and Internet access will be paid by the organization of the seminar, except alcoholic drinks.

Taxi drivers will pick the foreigner participants at the airport in Sao Paulo. Brazilian participants should take a taxi at the airport to the hotel and will be reimbursed. Please keep the tickets of the taxis and give them for us at the seminar. A van service will transport the participants to the welcome dinner on Thursday night.

We hope you will have a good trip and we are looking forward to meet you at the seminar.

Nelson Marconi

Seminário “Macroeconomia do Desenvolvimento: ensaios sobre restrição externa, financiamento e política macroeconômica”

Macroeconomia do Desenvolvimento: ensaios sobre restrição externa, financiamento e política macroeconômica.

Local: Auditório da FACE, Universidade de Brasília

                                                                 Data: 07 e 08 de abril de 2011

Programação provisória.

07 de Abril

08:00 – 08:30    

Credenciamento

08:30 – 10:00    

Abertura: Joaquim Andrade (Chefe de Departamento/UnB), Roberto Ellery (Coordenador da Pós-Graduação/UnB), Adriana Amado (Coordenadora da Graduação/UnB)

Sessão Especial. O Novo Desenvolvimentismo e a Agenda de Reformas Macroeconômicas.

Presidente:        Raul Jungmann

Palestrante:       José Luis Oreiro (UnB/AKB)

Debatedor:        Carlos Mussi (Cepal)     

10:00 – 11:30

Sessão Ordinária. Liquidez Internacional e os Ciclos de Crescimento: o caso Brasileiro

Presidente:        Luiz Fernando Rodrigues de Paula (UERJ/AKB)

Palestrante:       Adriana Amado (UnB)

Debatedor:        Renato Baumann (IPEA-DF/UnB)

12:00 – 13:30    

Almoço

13:30 – 15:00    

Sessão Ordinária. Desenvolvimento hacia fuera e desenvolvimento hacia dentro: erros e acertos da política econômica brasileira

Presidente: Adriana Amado (UnB)

Palestrante: Maria de Lourdes Rollemberg Mollo (UnB)

Debatedor: Luiz Fernando de Paula (UERJ/AKB)

15:00– 16:30

Sessão Ordinária. Derivativos de Câmbio, Fragilidade Financeira e Política Monetária no Brasil durante a Crise Financeira Mundial

Presidente: Fernando Ferrari Filho (UFRGS)

Palestrante: Flávio A. C. Basilio (UnB)

Debatedor: Rogério Sobreira (FGV)

16:30 – 18:00

Sessão Ordinária. Operações com Derivativos Cambiais por Empresas Não-Financeiras: um estudo de caso das empresas Aracruz Celulose e Sadia

Presidente: José Luis Oreiro (UnB/AKB)

Palestrante: Rogério Sobreira (EBAPE/FGV-RJ)

Debatedor: José Roberto Novaes (UnB)

18:30 – 19:30

Sessão Especial. Macroeconomia Estruturalista do Desenvolvimento

Presidente: Antonio José Alves Junior (Cepal)

Palestrantes: José Luis Oreiro (UnB/AKB) e Luiz Fernando de Paula (UERJ/AKB),

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

08 de Abril

08:30 – 10:00    

Sessão Ordinária. Commodities, Recursos Naturais e Crescimento: Um Estudo através da História do Pensamento Econômico

Presidente:        Joanílio Teixeira (UnB)

Palestrante:       Mauro Boianovsky (UnB)

Debatedor:        Maria de Lourdes Rosemberg Mollo (UnB/AKB)

10:00- 11:30 Sessão Ordinária. Avaliação do Regime Cambial Brasileiro pós-1999: análise crítica e propositiva

Presidente: Adriana Amado (UnB/ANPEC)

Palestrante: Fernando Ferrari Filho (UFRGS/AKB)

Debatedor: José Luis Oreiro (UnB/AKB)

12:00 – 14:00    

Almoço

14:00 – 15:30

Sessão Ordinária. Sistema Financeiro Nacional: análise recente, diagnóstico e perspectivas

Presidente: Marco Flávio da Cunha Rezende (UFMG/AKB)

Palestrante: Luiz Fernando de Paula (UERJ/AKB)

Debatedor: Paulo Gala (FGV-SP/AKB)

16:00 – 17:30

Sessão Ordinária. Novo Desenvolvimentismo e Apontamentos para uma Macroeconomia Estruturalista do Desenvolvimento

Presidente: José Luis Oreiro (UnB/AKB)

Palestrante: Paulo Gala (FGV-SP/AKB)

Debatedor: Manoel Castro Pires (SPE/MF)

Obituário – Fábio Erber

Fábio Erber

Acabo de receber a notícia do falecimento de Fábio Erber. Ele foi um amigo e um notável economista. Foi um pesquisador da melhor estirpe estruturalista, uma referência obrigatória nos estudos de política industrial e inovação,  que em anos recentes se interessou também pela macroeconomia e pelo papel das convenções – um conceito que usou de forma ampla e criativa. Seu último paper publicado na Revista de Economia Política, “As convenções de desenvolvimento no governo Lula: um ensaio de economia política” (janeiro de 2011), foi sobre esse tema. Foi uma alegria para mim ter publicado seu trabalho.

Luiz Carlos Bresser-Pereira

14.2.2011

Entrevista do Beluzzo para o Valor Econômico (06/01/2011)

Moderar demanda e câmbio são grandes desafios, diz Belluzzo

Sergio Lamucci e João Villaverde | De São Paulo

06/01/2011

Luis Ushirobira/Valor

Luiz Gonzaga Belluzzo: indústria passa por um momento complicado, com desarticulação de cadeias produtivas

O governo Dilma Rousseff precisa encontrar um arranjo de política econômica que permita ao mesmo tempo ajustar o ritmo de crescimento da demanda – hoje “um pouco excitada” – e enfrentar a questão do câmbio valorizado, que desarticula cadeias produtivas inteiras, diz o professor Luiz Gonzaga Belluzzo, da Unicamp e da Facamp. Para ele, é necessário, de fato, controlar as despesas correntes e elevar o superávit primário, para que se consiga executar uma política fiscal anticíclica, “exatamente para não exigir depois do Banco Central uma ação mais enérgica”.

Belluzzo não descarta uma alta de juros, mas tampouco a considera inevitável. Uma elevação da Selic pode agravar ainda mais a valorização do câmbio, num mundo em que há farta liquidez internacional. Aumentar ou não a taxa vai depender do “mix monetário e fiscal”, afirma Belluzzo, que elogia medidas de contenção ao crédito adotadas recentemente pelo BC, que lançou mão de outro instrumento que não os juros.

O professor mostra grande preocupação com o câmbio valorizado e seu impacto sobre a indústria, que já sofre com o desmonte de algumas cadeias produtivas, num cenário de forte aumento das importações. “O calcanhar-de-aquiles do governo Lula foi a questão cambial, que pode nos custar caro no futuro. Esse é o enigma que Dilma vai ter de decifrar”, afirma Belluzzo, que vê, contudo, um saldo bastante positivo no governo Lula, citando a aceleração do crescimento, a redução da pobreza e a incorporação de milhões de pessoas ao mercado consumidor.

Um dos conselheiros econômicos mais importantes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Belluzzo também é interlocutor frequente do ministro da Fazenda, Guido Mantega. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Valor: O Brasil fechou 2010 com um ritmo de crescimento de 7,5% a 8%, muito puxado pelo consumo das famílias, com a inflação perto de 6% e o câmbio valorizado, facilitando as importações. Qual é o primeiro desafio do novo governo?

Luiz Gonzaga Belluzzo: Há alguns desafios instigantes, tanto do ponto de vista do observador como do policy maker. Um deles é manter a economia numa trajetória, que eu não vou dizer de equilíbrio, porque tal coisa não existe numa economia capitalista, mas numa trajetória saudável. Nos últimos dois anos, sobretudo neste último, a recuperação da economia foi realmente puxada pelo consumo, ainda que o investimento tenha tido uma expansão bastante razoável nos últimos trimestres. No caso da inflação, há dois componentes. Ela tem a ver, sim, com a aceleração da demanda, porque isso está expresso na inflação de serviços. E há uma inflação que decorre do choque de commodities. É preciso que o governo tenha claro que tem que apaziguar um pouquinho esse ímpeto da demanda. Mas restringir a gestão macroeconômica pelo lado monetário e do crédito simplesmente à taxa de juros não é compatível até com a natureza e a força dos sistemas financeiros modernos. É óbvio que tem que usar os instrumentos adequados, como o governo está tentando fazer agora. As medidas ["macroprudenciais" de controle do crédito] estão na direção correta.

Valor: As medidas de contenção ao crédito substituem ou podem diminuir um aumento de juros?

Belluzzo: Acho que elas são complementares. Você não pode supor que ela vá substituir, assim como a questão fiscal.

Valor: O sr. vê a necessidade de fazer um ajuste fiscal ou pelo menos de mudar a orientação da política fiscal no começo do governo?

Belluzzo: Isso eu não preciso dizer, porque parece que o governo já sinalizou que vai fazer isso. Eu discuto com os meus amigos keynesianos que ficam nervosos quando eu digo que precisa fazer ajuste fiscal, porque eles acham que Keynes era um gerador de déficits, e Keynes não é isso. Quem lê a obra de Keynes sabe que ele é muito cauteloso. Nas recomendações de política do pós-guerra ele diz claramente que você precisa ter um orçamento corrente sempre equilibrado e usar os instrumentos do orçamento de capital, os gastos de investimentos, que geram ativos lá na frente. Há uma discussão sobre a confiabilidade do governo na execução dessa promessa, porque uma coisa é falar e outra é fazer, mas acho perfeitamente factível o governo avançar na meta de superávit primário e conseguir executar uma política anticíclica, exatamente para não exigir depois do Banco Central uma ação mais enérgica.

“Nós temos um problema de infraestrutura e um problema gravíssimo em matéria de educação”

Valor: O sr. acha que uma alta de juros não é inevitável?

Belluzzo: Vamos ver. Eu tenho falado com muita gente do mercado e até alguns economistas de banco têm me dito que está um pouco exagerada essa pressão do mercado sobre o BC. Mas é um jogo de coordenação de expectativas.

Valor: O BC fica muito pressionado por causa das expectativas?

Belluzzo: O problema é que, se você for pegar um retrospecto, há erros escandalosos do mercado na projeção de inflação. Essa questão da capacidade preditiva dos modelos é muito limitada. É melhor considerar a política monetária mais como uma arte do que como uma ciência. É mais parecido como o trabalho de um grande chefe de cozinha. É mais de sensibilidade. [O ex-ministro Antonio] Delfim Netto diz que há uma pretensão científica de uma precisão e uma certeza que você não tem. E isso não quer dizer que se deva ser condescendente com a inflação.

Valor: O sr. não está descartando uma alta de juros nem dizendo que ela é indispensável?

Belluzzo: Acho que depende do mix monetário e fiscal. Qual é o inconveniente de um aumento de juros? É o fato de que, num mundo em que há abundância de liquidez, pode aumentar a pressão sobre o câmbio. Isso pode se tornar um problema sério. Se você conversa com os industriais e as suas respectivas cadeias produtivas, vê que isso está se tornando uma questão muito grave. Você está desmontando cadeias inteiras.

Valor: A produção industrial está estagnada desde abril, com a demanda crescendo forte e as importações em alta intensa. O sr. acha que está havendo desindustrialização por aumento de importações.

Belluzzo: Há uma desarticulação muito importante das cadeias produtivas. O pessoal da siderurgia sabe disso muito bem, sabe o que está ocorrendo com a demanda deles. Em boa parte a demanda interna de aço não cresce muito porque o aço vem importado, chegando mais barato, além de já chegar nos próprios produtos importados.

Valor: Além do câmbio, os industriais têm apontado o custo elevado de mão de obra no Brasil. Como enfrentar essa questão?

Belluzzo: É necessário pensar numa alternativa para os encargos que incidem sobre a folha de salários. É importante desonerar os encargos, para que haja mais competitividade. Outra questão que o governo vai precisar enfrentar é a desoneração das exportações. Há notícias de que não se conseguem recuperar os créditos. Isso tem a ver também com a guerra fiscal. Há três problemas aí. O câmbio, o excesso de impostos que se exporta e a guerra fiscal, que faz com que os Estados às vezes facilitem a importação. Essas medidas de facilitar importações são um delírio. É um negócio que vai causar prejuízo para o país inteiro.

Valor: O IOF sobre fluxos de capitais é eficaz para evitar uma valorização cambial maior?

Belluzzo: Há formas de burlar, mas se for assim você não vai fazer nada. É preciso ir além do IOF, operando no mercado futuro, onde muitas negociações, que acabam por valorizar o câmbio, são feitas. Digamos que o governo impeça operações de 30 dias e de rolar por mais tempo, exigindo que as operações sejam feitas em 180 dias, além de dar volatilidade na taxa de câmbio. Isso seria ótimo, porque hoje o investidor deita e rola.

Valor: O câmbio é o principal desafio do governo Dilma?

Belluzzo: É o conjunto da obra. Como fazer um arranjo de política econômica que provoque um ajuste do crescimento, da demanda que está um pouco excitada e, ao mesmo tempo, possibilite uma desvalorização administrada do câmbio, para que também não haja um choque cambial. Há dois riscos aí. Um é o de ter uma desvalorização do câmbio abrupta por causa de uma parada súbita de capitais. Eu não acho que isso esteja no horizonte, mas de repente os juros no mundo desenvolvido podem subir e virar a engrenagem da arbitragem. Há esse risco, embora eu não ache que ele seja iminente, até porque a situação da Europa é muito ruim, é terminal. Já nos EUA, apesar de todas as omissões que o governo cometeu, a situação é melhor, do ponto de vista da recuperação. Mas pode haver uma reversão dos fluxos de capitais.

Valor: Mesmo com o nível de reservas que nós temos hoje pode haver uma desaceleração abrupta?

Belluzzo: Acho que nós estamos mais defendidos hoje. É verdade que em 1998 e 1999 a situação era diferente, porque nós não tínhamos o câmbio flutuante, mas quando começou a pressão sobre o real que levou à desvalorização, o Brasil tinha US$ 74 bilhões de reservas internacionais, e elas se esvaíram em três meses. O outro risco é o avesso desse. Imagine que de repente se acelera a exploração do pré-sal e o pessoal esquece completamente o câmbio, porque não vai haver problema de financiamento externo.

Valor: A previsão é de um déficit em conta corrente de 2,5% do PIB em 2010, passando de 3% a 3,5% em 2011. Nós podemos entrar num processo de déficits em conta corrente elevados e continuados?

Belluzzo: Se deixar, o déficit vai logo para 5% do PIB. Acho que isso pode ocorrer e a probabilidade não é baixa, se continuar esse arranjo macroeconômico. É possível que se chegue lá ainda com as penas da desindustrialização. Reduzir muito o peso da indústria no valor adicionado tem consequências ruins para o emprego. Não vamos nos esquecer que quando os EUA começaram o processo de globalização de suas empresas, a sair em busca de regiões em que a taxa produtividade/salários fosse maior, isso foi concomitante a uma queda importante do nível de vida da classe média americana. Temos de olhar isso com muito cuidado porque o Brasil pode ter esse fenômeno de modo precoce, já que não chegamos ao patamar de renda dos EUA.

Valor: Como se combate esse risco de déficit em conta corrente, com um risco de desindustrialização precoce?

Belluzzo: Nós temos que ter um arranjo macroeconômico que permita recuperar um câmbio competitivo. É importante nos darmos conta de que a dimensão de ativo do câmbio ganhou preeminência em relação ao de preço relativo, por conta do movimento de capitais. Já há um convencimento de que é preciso colocar um pouco de disciplina nisso, porque os movimentos de capitais são sempre pró-cíclicos. Alguém já viu um movimento anticíclico do mercado?

Valor: O arranjo macroeconômico tem que ter o câmbio competitivo e o que mais?

Belluzzo: É preciso ter estratégia de longo prazo, concentrada nessa ideia de ter um programa de investimento público muito bem definido e financiado, com objetivo muito claro.

“O calcanhar-de-aquiles do governo Lula foi a questão cambial, que pode nos custar caro no futuro”

Valor: O PAC é isso?

Belluzzo: De alguma maneira é, sim. Nós ficamos discutindo essas questões de curto prazo e esquecemos que no longo prazo temos um problema de infraestrutura, um problema gravíssimo em educação e agora, finalmente, parece que virou consenso que há um problema na área de desenvolvimento científico e tecnológico. O problema da educação básica é seríssimo, e não adianta mais dar desculpas. Temos que, de alguma maneira, enfrentar isso.

Valor: A partir do segundo governo Lula houve o PAC, o Minha Casa, Minha Vida, os bancos públicos ofereceram taxas mais baixas, o BNDES dobrou de tamanho. Qual é o papel do Estado que Dilma herda?

Belluzzo: O Estado brasileiro é indutor, por meio de seus bancos públicos, do BNDES, do PAC, da Petrobras. Não vejo nenhum estímulo nem nenhuma necessidade de mudar isso. O Brasil tem um sistema público de financiamento que funcionou de maneira muito eficaz na crise, comprando carteiras de bancos menos líquidos, atendendo inclusive um pedido do presidente Lula. A queda do PIB em 2009 [de 0,6%] teria sido muito maior sem a participação dos bancos públicos. Além disso, o BNDES cumpriu um papel fundamental, ao manter o investimento e permitir que as empresas se recuperassem rapidamente da queda abrupta. O problema naquele momento foi o BC, que demorou muito para cortar os juros e, quando começou, cortou pouco. Estaríamos numa situação menos aflitiva se o BC tivesse aproveitado a crise para ir mais longe, reduzindo mais a Selic.

Valor: O sr. se preocupa com o aumento da dívida bruta do governo causado pela capitalização do BNDES pelo Tesouro?

Belluzzo: Não. A capitalização do BNDES significa uma mudança de seu endividamento. Isso não vai se repetir. Serviu para a recuperação e aceleração da economia, em 2009 e 2010, e não deve mais ser feito.

Valor: E a engenharia contábil para engrossar o superávit primário do ano passado, aproveitando a capitalização da Petrobras?

Belluzzo: É uma coisa que se faz uma vez e não vai repetir. Agora é hora de ir atrás do superávit primário legítimo.

Valor: Uma das metas colocadas pela presidente Dilma é levar a dívida pública líquida a 30% do PIB em 2014, que hoje está em 41%. O sr. acha que será feito por meio de superávit primário mais elevado ou de PIB crescendo forte?

Belluzzo: O mais interessante seria fazer com crescimento acelerado e com primário alto, com o gasto público funcionando de maneira anticíclica. Agora é hora de apertar os gastos. Dessa forma é possível, sem dúvida.

Valor: O que precisa ser feito para reduzir mais fortemente a Selic?

Belluzzo: É preciso mexer no juro real da poupança, que precisa virar uma taxa de juros nominal, como ocorre em qualquer país civilizado. Isso é uma herança do período inflacionário, bem como as indexações das tarifas. Temos enorme concentração de recursos nas operações compromissadas, indicativo do “curto-prazismo” dos investidores. Isso deveria ser remunerado abaixo da Selic, essa indexação à Selic é péssimo.

Valor: Que balanço o sr. faz dos oito anos do governo Lula?

Belluzzo: Lula tomou posse num clima muito ruim, com o dólar a R$ 3,53, uma desconfiança enorme dos mercados. Havia um temor horrível nos mercados. Cheguei a receber 15 delegações estrangeiras me perguntando se repetiríamos a crise argentina. Mas Lula foi muito cauteloso e contou com a sorte, porque foi o momento em que a China começou a acelerar. Houve uma demanda impressionante de commodities, algo que nunca tínhamos visto. A política econômica mais cautelosa foi importante num momento, ainda que em 2004 o BC tenha errado a mão ao elevar muito os juros e abortar o crescimento de 2005. Tivemos problema de descoordenação, mas a partir do segundo mandato as coisas ficaram mais sob controle, até, em boa medida, graças ao papel da Dilma, na definição e gestão do PAC, ao mesmo tempo em que as condições externas continuaram muito favoráveis até o fim de 2008, quando estourou a crise.

Valor: Por que o Brasil se saiu bem na crise?

Belluzzo: Os bancos públicos tiveram um papel importante. Sem nada que parecesse maluquice, fizeram tudo direitinho. Segundo, a política anticíclica fiscal que o Guido [Mantega, ministro da Fazenda] tocou, ajudou o país a sair muito rápido da crise. Faço avaliação muito positiva do governo Lula e mais positiva ainda se compararmos com as expectativas. A redução da desigualdade é importante, mas não dá para ser exagerada, porque não podemos mapear com clareza o topo da pirâmide, apenas a da base. Mas a redução da pobreza é inequívoca. Os aumentos reais do salário mínimo foram uma política ainda mais importante que o Bolsa Família nesse sentido. Além disso, vimos a taxa de crescimento do Nordeste superar a média nacional. Antes o crescimento era muito concentrado. O crédito consignado, bem como o salário mínimo, trouxe muita gente para o mercado consumidor. Esse ganho precisa ser mantido. Por isso a inflação deve ser bem combatida, porque atinge mais os de baixo.

Valor: E os principais erros?

Belluzzo: O calcanhar-de-aquiles do governo Lula foi a questão cambial, que pode nos custar caro no futuro. Esse é o enigma que Dilma vai ter de decifrar. Foi tão ruim quanto a valorização do governo Fernando Henrique Cardoso. As pessoas criticam a política fiscal do Lula, mas esquecem que a política fiscal do primeiro governo FHC foi desastrosa. FHC, de quem eu gosto muito, fica nervoso quando se faz essa comparação, mas é preciso entender que aquele regime macroeconômico que prevaleceu até 1999 foi desastroso e teve consequências ruins para a economia, que cresceu pouco.

Artigo do grupo aceito para publicação na Revista Estudos Econômicos

O artigo “Acumulação de Capital, Restrição Externa, Hiato Tecnológico e Mudança Estrutural: teoria e experiência Brasileira” de autoria de José Luis Oreiro (UnB), Carmem Feijó (UFF) e Marcos Lamonica (UFF) foi aceito para publicação na Revista Estudos Econômicos da USP.

Confira abaixo o resumo do artigo

“Os períodos de crescimento acelerado da economia brasileira do pós-guerra até a década de 1970 foram constrangidos pela restrição externa. Propomos nesse artigo um modelo baseado em Kaldor, onde estabelecemos uma relação entre acumulação de capital, hiato tecnológico e restrição externa ao crescimento de longo-prazo para economias periféricas. A hipótese básica do modelo é que a acumulação de capital, sob certas condições, pode contornar a restrição externa ao crescimento dessas economias desde que o esforço de acumulação seja capaz de produzir uma mudança estrutural no sentido de aumentar a participação relativa dos setores mais dinâmicos do ponto de vista tecnológico. Essa mudança estrutural irá resultar em um aumento gradual da elasticidade-renda das exportações e numa redução da elasticidade-renda das importações, aumentando assim a taxa de crescimento do produto real que é compatível com o equilíbrio de longo-prazo do balanço de pagamentos. Ilustramos ao final do artigo que a economia brasileira do pós-guerra até os anos 1970 apresentou uma elevada taxa de acumulação de capital, aprofundando o processo de substituição de importações, o que na nossa interpretação contribuiu para parcialmente permitir relaxar a restrição externa ao crescimento de longo-prazo”

E-mail do Bresser sobre a criação do grupo

Caros José Luís e Luiz Fernando

Fiquei feliz em saber que decidiram organizar um grupo de estudos tendo como tema a Macroeconomia Estruturalista do Desenvolvimento – uma teoria que venho desenvolendo nos últimos 10 anos auxiliado por economistas de alto nível como vocês dois. As ideias foram pela primeira vez reunidas em “Globalização e Competição” (Campus/Elsevier 2010) que foi publicado, primeiro em francês (2009) em consequencia de um convite de Robert Boyer e Pierre Salama para que reunisse minha abordagem e modelos em um livro, e também em inglês e espanhol. Sabia que estava escrevendo um livro sobre o Novo Desenvolvimentismo (uma estratégia nacional de desenvolvimento ou de competição) que tinha como base uma macroecononomia do desenvolvimento de inspiração keynesiana), mas só ficou claro para mim que se tratava de uma macroeconomia estruturalista do desenvolvimento – um segundo momento, agora macroeconômico – da teoria estruturalista do desenvolvimento de Prebisch, Furtado, Nurkse, Myrdal, Lewis, Singer, Rangel e outros – quando, em 2009, fui convidado por José Antonio Ocampo para escrever um paper  sobre o novo desenvolvimentismo para o Hand Book on Latin American Economics que está organizando para a Oxford University Press (o que escrevi), e, logo em seguida, o convite de Osvaldo Sunkel para escrever um paper também sobre o novo desenvolvimentismo para ser publicado na Revista de la Cepal. Como atender a esse segundo convite? Não podia repetir o paper para o José Antonio. Foi quando chamei o Paulo Gala para me ajudar, e, juntos, escrevemos o paper “Macroeconomia Estruturalista do Desenvolvimento” que também acaba de ser publicado pela REP e vai anexo. Envio também um resumo ainda maior que terminei de escrever há 10 dias, “O novo desenvolvimentismo e sua macroeconomia estruturalista”. Estou, naturalmente, à disposição do grupo.

Um abraço cordial, Bresser.

Grupo de Pesquisa de Macroeconomia Estruturalista do Desenvolvimento

Caros amigos,

Este é o blog do grupo de pesquisa “Macroeconomia Estruturalista do Desenvolvimento”,  formado em 2008. Ao longo dos últimos dois anos os membros deste grupo vém realizando trabalhos conjuntos, muitos deles publicados em revistas de economia no Brasil e no exterior tais como a Revista de Economia Política, Economia e Sociedade, Análise Econômica, Economia, Investigación Económica, Journal of Post Keynesian Economics, Cambridge Journal of Economics, International Review of Applied Economics, entre outros. Cabe destacar a elevada produtividade dos membros do grupo, muitos dos quais são pesquisadores nível I do CNPq. No âmbito deste grupo de pesquisa foi organizado o livro “Política Monetária, Bancos Centrais e Metas de Inflação: teoria e experiência brasileira” (FGV, 2009), o qual obteve o primeiro lugar na categoria livro no “Prêmio Brasil de Economia” (2010), organizado pelo Conselho Federal de Economia

Pesquisadores Membros do Grupo :

- André Modenesi (IE/UFRJ)

- Carmem Feijó (UFF)

- Eliane Araújo (UEM)

- Fernando Ferrari Filho (UFRGS)

- Fernando Cardim de Carvalho (IE/UFRJ)

- Frederico Gonzaga Jayme Junior (CEDEPLAR/UFMG)

- Geovana Lorena Bertussi (UnB)

- Guilherme Jonas C. Silva (IE/UFU)

- Jeniffer Hermann (IE/UFRJ)

- José Luis Oreiro (UnB) – Líder

- Lucas Dexordi (Univ. Positivo)

- Luciano Dias de Carvalho (UFV)

- Luciano Ferreira Gabriel (FIEP)

- Luciano D´Agostini (IBPEX)

- Luciano Póvoa (UnB)

- Luciano Nakabashi (UFPR)

- Luiz Carlos Bresser-Pereira (FGV/SP)

-  Luiz Fernando de Paula (UERJ) – Líder

- Marcelo O. Passos (Univ. Federal de Pelotas)

- Marco Flavio da Cunha Resende (CEDEPLAR/UFMG)

- Marcos Tostes Lamonica (UFF)

- Maria de Lourdes Rosemberg Mollo (UnB)

- Nelson Marconi (FGV/SP)

- Paulo Gala (FGV/SP)

- Rogério Sobreira (FGV/RJ)

o diretório do grupo no CNPq pode ser encontrado em http://dgp.cnpq.br/buscaoperacional/detalhegrupo.jsp?grupo=0240603PY6FR08

Abs,

Oreiro

-

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